Ceará planeja Saúde com foco em prevenção

A rede de hospitais do Governo do Ceará fez 12% a mais de cirurgias, superou 100 mil internações e realizou 7,84 milhões de exames em 2017. A mortalidade hospitalar média nos 11 hospitais da rede teve redução de 17,7% no ano passado. Houve ainda inovações como a implementação do programa Diagnóstico Cidadão, para ouvir a opinião dos usuários da saúde, e a utilização de tratamento trombolítico em nível estadual para casos de infarto agudo do miocárdio pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192 Ceará).

Um balanço do atendimento na Saúde em 2017 foi feito nesta quinta-feira (8), durante coletiva concedida pelo secretário da saúde do Ceará, Henrique Javi. “Superamos o número de cirurgias, de atendimentos e de internações, ou seja, qualificamos a atenção e o acesso (à saúde) no Ceará para o paciente agudo”, disse. O secretário destacou que, paralelamente a essa ampliação do acesso, é preciso fazer um novo debate que leve em conta ações de prevenção e promoção de saúde.

“Como é que vamos envelhecer mais saudáveis? Como é que vamos lidar com as condições crônicas (como diabetes e hipertensão)? Saúde pública não é uma ação exclusiva do governante. É uma ação coletiva que precisa de participação massiva. Porque, depois que o infarto acontece, o que temos a fazer é diminuir as sequelas do processo. O que nós temos de colocar na mente é que temos que evitar que as pessoas infartem”, ressaltou o secretário.

Cooperação internacional

A Secretaria da Saúde está trabalhando para melhorar a qualidade e a eficiência do sistema de saúde. Essa mudança vem sendo planejada desde o ano passado com a colaboração do médico e consultor internacional da Organização Mundial de Saúde (OMS) e ex-ministro da Saúde do País Basco, Rafael Bengoa. Ele integra a equipe de cooperação técnica com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), iniciada em março de 2017. A meta é promover a melhoria da qualidade dos serviços em saúde, envolvendo investimentos em Tecnologia da Informação, capacitação de gestores e técnicos e a acreditação das unidades de saúde.

“O que é importante é que, a médio prazo, o Ceará será pioneiro no Brasil em um bom equilíbrio entre o (tratamento) agudo e o crônico”, disse Bengoa, destacando que um terço das pessoas tem ou terá uma doença crônica. “Está se desenhando um sistema no qual vamos poder melhorar a gestão de diabéticos e hipertensos. E isso temos de fazer também com os cidadãos. O sistema sozinho não pode com a epidemia de (doentes) crônicos”, declarou o médico, que é membro sênior da Universidade de Harvard.

 

Proexmaes II

A Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) cumpriu nesta semana mais uma etapa da construção da segunda fase do Programa de Expansão e Melhoria da Assistência Especializada à Saúde do Estado do Ceará (Proexmaes II), que será objeto de contrato de financiamento pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e execução a partir deste ano. As equipes de trabalho apresentaram aos consultores os avanços na preparação de dez projetos estratégicos que integrarão o Proexmaes II.

“Precisamos adequar o sistema de saúde à necessidade da população”, defende Socorro Martins, assessora técnica da Secretaria da Saúde do Ceará que lidera a equipe local na construção do Proexmaes II. “Temos cada vez mais pacientes idosos, cada vez mais pacientes com condições crônicas, e precisamos ter uma estrutura diferente no tratamento das condições agudas, das urgências, das emergências”, avaliou.

O Governo do Ceará mantém parceria com o BID desde 2007, com o Proexmaes I, encerrado em 2016. O Programa possibilitou a ampliação do acesso aos serviços de saúde no Estado, com a implantação das Policlínicas e dos Centros de Especialidades Odontológicas regionais (CEOs) e financiamento do BID. O Proexmaes II terá investimento de 178,5 milhões de dólares, sendo 123 milhões do BID e 55,5 milhões de contrapartida do Estado. A meta é promover a melhoria da qualidade dos serviços em saúde, envolvendo investimentos em Tecnologia da Informação, capacitação de gestores e técnicos e a acreditação das unidades de saúde.

Para a construção do Proexmaes II estão sendo elaborados dez projetos estratégicos para a reforma do sistema de saúde do Ceará. No grupo 1 estão os projetos: Fortalecimento da Atenção Primária, a Organização de uma Rede de Cuidados Integrados e Desenvolvimento de um Modelo de Governança; Ativação e Empoderamento do Paciente; Reforço do Potencial de Promoção e Prevenção; e Eliminação de Desperdícios.

No grupo 2 são desenvolvidos os projetos: Remodelagem da Sesa; Novas Intervenções da Assistência Farmacêutica; Projeto Diagnóstico e Funcional de um Sistema de Base de Informação para a População; Reforçar a Capacidade Técnica, Gestão e Liderança; Desenvolvimento de Tecnologias Visando a Implementação do Novo Sistema; e Prevenção de Doenças Infecciosas Emergentes.

 

Saúde no Ceará

A rede de assistência à saúde no Ceará, além de crescer no interior e na capital, trouxe inovações na oferta de serviços. Atualmente, são 19 policlínicas em funcionamento que atendem as cinco macrorregiões de saúde do Estado (Fortaleza, Sobral, Sertão Central, Litoral Leste/ Jaguaribe e Cariri) e 25 Centros de Especialidades Odontológicas. Em funcionam três CEOs estaduais – CEO Centro, CEO Rodolfo Teófilo e CEO Joaquim Távora, com gestão da Secretaria da Saúde do Estado. Nas regiões de saúde funcionam 22 CEOs regionais, com gestão dos consórcios públicos de saúde.

Há também 33 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs 24h), 11 na capital e 22 no interior; 136 municípios atendidos pelo SAMU 192 Ceará, além de Fortaleza e Sobral, que têm SAMU com gestão municipal, e três hospitais regionais: Hospital Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte; Hospital Regional Norte, em Sobral, e o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim.